QUEM NÃO CASA TAMBÉM QUER CASA

Todos nós conhecemos aquele velho ditado: Quem casa, quer casa! Pois bem, eu não tenciono casar- me, pelo menos nós próximos tempos, mas há dias em que dava tudo para sair da casa dos meus pais. A sério, não sei se serei eu ou se o sentimento é geral, mas chega a uma certa idade que parece que não dá mais!

Gosto muito dos meus pais, como praticamente todos nós, e até confesso que eles não são dos piores comparativamente com os pais de alguns amigos meus, só que há coisas que simplesmente me tiram do sério: onde vais, com quem vais, a que horas vens, tens que me dar satisfações enquanto viveres debaixo do meu tecto...isto são apenas alguns exemplos do que me faz desejar arranjar uma casa o mais rapidamente possível! E nos últimos anos cada uma destas expressões, bem como outras semelhantes, ganhou um peso gigantesco.
A maior parte dos jovens recém-licenciados e "semi" desempregados, como eu, deve perceber a urgência que sinto em alguns dias, como hoje, em encontrar o emprego dos nossos sonhos que me proporcione a oportunidade de me "lançar", finalmente à minha vida! Todos nós nos sentimos, a determinada altura, um "peso" para os nossos pais!
Portugal é dos países da Europa em que os jovens abandonam cada vez mais tarde a casa da sua familia. Culpa nossa? Não me parece! Há um forte factor cultural, acredito que sim, que nos faz "cortar o cordão umbilical" mais tarde, uma superprotecção por parte dos mais velhos e um certo comodismo por parte dos mais novos... mas onde estão os apoios que vemos em outros países para que os jovens possam iniciar a sua vida, os subsídios para continuarmos a estudar, o nº reduzido de horas de trabalho para que possamos ter alguma qualidade de vida? Não vemos porque não existe! Não há uma simples política de colocação de jovens em estágios, mesmo quando as profissões assim o exigem, só há bem pouco tempo se legislou sobre a obrigação de estágios remunerados (e mesmo assim nem todas as profissões estão abrangidas, caso da advocacia), encontra-se uma burocracia absurda no que diz respeito à comparticipação de rendas para habitação jovem. E os nossos pais culpam-nos a nós de nunca mais nos fazermos à vida? É caso para dizer: por uma qualquer partida do destino nascemos na hora certa, mas no local errado!

Comentários

  1. Não gosto dessa ideia de termos nascido no local errado, mas a verdade é que pelo andar da carruagem, vou ter 40 anos e ter de pedir aos meus pais dinheiro para tomar um café.

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