O MUNDO AO CONTRARIO
Eu sou daquelas pessoas que anda, muitas vezes, ao contrário dos outros! Por exemplo, normalmente, as pessoas trabalham durante a semana e descansam ao fim de semana, eu não! Eu trabalho apenas dois dias na semana e "descanso" cinco! Faço isto há alguns anos, e não desgosto!
Claro que estou cansada de não poder sair quando os meus amigos normalmente se reúnem, de faltar à maior parte dos eventos familiares e de ter que faltar sempre às festas de aniversário, onde temos a desculpa perfeita para beber uns copos a mais! Em suma, este "privilégio", por vezes, sai-me um bocado caro e aniquila uma boa parte da minha vida social.
Tudo isto começou no inicio dos meus tempos de faculdade, altura em que o dinheiro dos nossos pais (pelo menos os das pessoas que vivem em condições económicas medianas como eu) começa a não dar para tudo e o acto de pedir dinheiro para um café todos os dias nos começa a envergonhar! Sei que nem todos pensamos assim, se calhar foi simplesmente o meu orgulho e desejo de ter um minimo de independência financeira que me levaram a arranjar este part- time, de forma a também não atrapalhar o curso! O certo é que já lá vão quase cinco anos, o curso já acabou e eu continuo lá. Não me posso queixar muito, tenho os aborrecimentos normais de quem já conhece bem o local onde trabalha e as suas regras, os seus colegas, os seus chefes. Tudo nos satura ao fim de algum tempo, por mais que gostemos das pessoas, do que fazemos...não quer isto dizer que eu amo o que faço, mas também não odeio e considero que trabalhar com o público nem sempre é fácil, mas às vezes também é muito compensador. E eu tenho ainda a vantagem de trabalhar num sitio priveligiado onde vejo passar diversos tipos de pessoas, com culturas diferentes, modos de vida totalmente distintos do meu, que já passaram por coisas fantásticas! Há lugares que têm uma magia qualquer, uma azáfama constante, locais de passagem, mas que marcam o começo ou o fim de alguma etapa... assim é um aeroporto (pelo menos para mim). E é nisto que penso sempre que digo que não vejo a hora de mudar e não posso deixar de me sentir uma ingrata!
Aprendi tanto neste tempo, amadureci imenso, conheci gente maravilhosa, aprendi a lidar com a pressão do mundo do trabalho, com as minhas falhas e com as dos outros, e tantas outras coisas!
Vem aí uma nova etapa da vida de um jovem recém-licenciado como eu, este "abrigo" que tão importante foi, vai ficar para trás inevitavelmente, e eu vou passar a ter uma vida menos contrária à dos outros. Mas, pelo menos, sei que fiz a opção correcta quando decidi abdicar de algumas coisas que embora importantes, não são fulcrais na vida e para as quais podemos arranjar alternativas. E como já disse, ganhei muitas outras coisas que, acredito, me transformaram numa pessoa mais completa! Acho que todos nós devíamos aprender desde cedo a dar valor ao que temos e à forma como o conseguimos.
E enquanto não começa a temível mudança cá vou tendo com que me entreter.
Claro que estou cansada de não poder sair quando os meus amigos normalmente se reúnem, de faltar à maior parte dos eventos familiares e de ter que faltar sempre às festas de aniversário, onde temos a desculpa perfeita para beber uns copos a mais! Em suma, este "privilégio", por vezes, sai-me um bocado caro e aniquila uma boa parte da minha vida social.
Tudo isto começou no inicio dos meus tempos de faculdade, altura em que o dinheiro dos nossos pais (pelo menos os das pessoas que vivem em condições económicas medianas como eu) começa a não dar para tudo e o acto de pedir dinheiro para um café todos os dias nos começa a envergonhar! Sei que nem todos pensamos assim, se calhar foi simplesmente o meu orgulho e desejo de ter um minimo de independência financeira que me levaram a arranjar este part- time, de forma a também não atrapalhar o curso! O certo é que já lá vão quase cinco anos, o curso já acabou e eu continuo lá. Não me posso queixar muito, tenho os aborrecimentos normais de quem já conhece bem o local onde trabalha e as suas regras, os seus colegas, os seus chefes. Tudo nos satura ao fim de algum tempo, por mais que gostemos das pessoas, do que fazemos...não quer isto dizer que eu amo o que faço, mas também não odeio e considero que trabalhar com o público nem sempre é fácil, mas às vezes também é muito compensador. E eu tenho ainda a vantagem de trabalhar num sitio priveligiado onde vejo passar diversos tipos de pessoas, com culturas diferentes, modos de vida totalmente distintos do meu, que já passaram por coisas fantásticas! Há lugares que têm uma magia qualquer, uma azáfama constante, locais de passagem, mas que marcam o começo ou o fim de alguma etapa... assim é um aeroporto (pelo menos para mim). E é nisto que penso sempre que digo que não vejo a hora de mudar e não posso deixar de me sentir uma ingrata!
Aprendi tanto neste tempo, amadureci imenso, conheci gente maravilhosa, aprendi a lidar com a pressão do mundo do trabalho, com as minhas falhas e com as dos outros, e tantas outras coisas!
Vem aí uma nova etapa da vida de um jovem recém-licenciado como eu, este "abrigo" que tão importante foi, vai ficar para trás inevitavelmente, e eu vou passar a ter uma vida menos contrária à dos outros. Mas, pelo menos, sei que fiz a opção correcta quando decidi abdicar de algumas coisas que embora importantes, não são fulcrais na vida e para as quais podemos arranjar alternativas. E como já disse, ganhei muitas outras coisas que, acredito, me transformaram numa pessoa mais completa! Acho que todos nós devíamos aprender desde cedo a dar valor ao que temos e à forma como o conseguimos.
E enquanto não começa a temível mudança cá vou tendo com que me entreter.
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